Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

24 ANOS DE EXTREMA DEDICAÇÃO !!

 
Quando uma claque atinge este tipo de longevidade, todo o cuidado é pouco para se falar sobre o assunto tal é o grau de responsabilidade exigido, assim sendo, nada melhor que recordar a história oficial dos Panteras Negras que eu próprio num passado recente tive o prazer de redigir:
 
 
Como é óbvio, para um nome já com o historial, a identidade e a perseverança que é o caso dos PANTERAS NEGRAS, exigia-se alguém merecedor de autoridade, privilégio e sabedoria suficiente para dar a conhecer qual a origem da claque do B.F.C.
Logicamente que tais atributos naturalmente teriam que recair sobre os seus fundadores…
Foi assim que numa noite fria de Inverno, sentados a uma mesa do salão “Angola” na rua da Constituição, alguns membros actuais dos P.N. juntamente com dois dos fundadores da claque ( Yuri e Jorge Ribeiro ) decidiram reavivar memórias e factos importantes que explicariam como tudo teria começado.
Da conversa mantida nessa noite e com alguns tragos de cerveja à mistura, sai a nossa história oficial.
Vivia-se então o ano de 1984, quando 4 jovens Boavisteiros de seus nomes, Luís Manuel, Jorge Ribeiro, Armando Simas e Jorge Rui Almeida decidiram criar algo de diferente e nunca antes visto para os lados do Bessa… decidiram criar um grupo organizado de apoio ao Clube…
Impulsionados pelo jogo Boavista x Dínamo de Moscovo, no qual o velhinho estádio do Bessa  se encontrava a abarrotar e a Bancada Sul situada atrás de uma das balizas, esporadicamente uniu-se a uma só voz para apoiar o mágico xadrez, estes jovens decidiram de uma vez por todas por mãos à obra.
A  primeira dificuldade encontrada, foi em saber qual o nome a dar à claque, mas cedo tal dilema se dilui, já que na altura existia uma espécie de ritual, no qual os adeptos tinham por norma lançar uma pantera cor de rosa em peluche para o relvado e o guarda redes da época ( o mítico Alfredo) retribuía o gesto , lançando de regresso a dita pantera para a bancada.
Visto as cores do clube serem o preto e o branco, chegaram à conclusão que PANTERAS NEGRAS seria o nome a adoptar.
Basicamente, foi assim que no dia 7 de Maio de 1984 estava decididamente e oficialmente criada a claque P.N. .
Pede-se então apoios à direcção do clube, a qual cede ao grupo um espaço próprio, que seria então a primeira sede da claque e que se situava na Av. Da Boavista, mais concretamente na cave do antigo edifício do Bingo da colectividade, transformado na altura também na sede do próprio Boavista.
O vice - presidente do clube oferece uma bateria de automóvel (tinha um stand) que servia de fonte de alimentação a uma peculiar e banalmente chamada “gaita”, objecto esse que emitia um som que se tornaria moda no apoio ás equipa por esse país fora.
Na altura estava também em uso a utilização de extintores, que por vezes eram “gentilmente” cedidos pelo Centro Comercial Dallas.
Organizava-se um sector muito particular no seio dos PN, os denominados “Bombos do Bingo”, que como o nome indica, tratava-se do pessoal que ia para o futebol munido do seu bombo e pronto para fazer a festa.
Em suma, as bancadas do Bessa gradualmente começavam a ganhar outro dinamismo que até então não acontecia.  Estava portanto, na hora de alargar os horizontes e espalhar essa festa de apoio ao BFC pelos restantes estádios do país.
Foi assim que surge a primeira deslocação PN, mais concretamente no jogo Benfica x Boavista FC  no estádio nacional e com ela surgem as primeiras aventuras…
Na véspera da partida, faltavam quinze contos para pagar a 2ª camioneta e a direcção do clube não comparticipava com qualquer quantia, foi então que alguns elementos dos PN se deslocam a casa do Major Valentim Loureiro (Presidente do Boavista FC) que se encontrava de cama adoentado, a fim de lhe pedirem um contributo.
Ao seu estilo bem conhecido, o Major vira-se para um dos rapazes presentes, pede-lhe que lhe chegue a suas calças e rapidamente saca dos quinze contos necessários e entrega-os em mão ao dito rapaz, sem antes de os alertar que iria averiguar se o dinheiro seria empregue para a causa devida.
No dia seguinte, à hora da partida, o Major manda um dos seus filhos tirar a prova dos nove, não fosse o diabo tece-las…
Os dados estavam lançados e a mística começava a vir ao de cima.
O grupo mostrava cada vez mais dinamismo e organização, o colorido tomava posse das bancadas, já que surgia a moda das bandeiras e internamente existia a competição para ver quem fazia a maior e a mais bonita.
 O pessoal dos bombos, adoptava o capacete de mineiro, que atribuía um toque pitoresco aquela molde humana.
 As iniciativas sucediam-se em prol do engrandecimento do nome PANTERAS NEGRAS e é disso exemplo flagrante o leilão das luvas pretas do jogador João Alves, que fez render à claque a módica quantia de 70 contos.
O grupo possuía também nas suas fileiras pessoas muita válidas na angariação de apoios , como por exemplo, o Jorge Loureiro e o Bernardo, filhos do Major e de Pinto de Sousa respectivamente.
 Contavam ainda com o patrocínio das “Sapatarias Teresinha”, que era na altura também o patrocinador do clube e que entre outras coisas cedem um lençol gigante à claque.
 Entre muitos marcos importantes nos primeiros anos de vida dos Panteras, os fundadores fazem questão de destacar a viagem a Portimão em 85 (aparição pela primeira vez da claque local, de seu nome “Os Marafados” ), a deslocação a Agueda, na qual se deram grandes confrontos com adeptos locais em pleno terreno de jogo, da viagem a Setúbal, que com eles viajou uma psicóloga com o intuito de estudar os comportamentos dos elementos da claque…
 Na primeira viagem ao estrangeiro, mais propriamente a Florença (Itália), alguns Panteras viajaram no voo charter do clube, enquanto outros saíram directamente de Elvas, onde o Boavista tinha jogado para o campeonato, para Itália.
 Contam o episódio hilariante de um elemento da claque, que com o medo de ser apanhado pelo detector de metais do aeroporto, vai á casa de banho desfazer-se de umas apetecíveis latas de atum. Falam também da recepção dada pelos famosos “carabineri” em terras transalpinas, que desde que chegam a Florença, jamais lhes deram um palmo de liberdade.
Relatam um jogo em casa contra o Futebol Clube do Porto, no qual pessoal dos Panteras vão para o relvado a fim de filmarem a festa das bancadas e funcionários do clube quase que os agridem, julgando tratarem-se de espiões de outros clubes…
 Em meados de 1989, dá-se uma espécie de passagem de testemunho e outros elementos da claque formam uma nova direcção.
 Entretanto a sede do grupo muda-se para o estádio do Bessa, mais concretamente paredes meias com o departamento de boxe.
 Surge também nessa época a equipa de futsal PANTERAS NEGRAS, que contava com o patrocínio das “Sapatarias Teresinha” nos seus equipamentos, modalidade essa que mais tarde viria a ser adoptada pelo próprio clube.
 Nessa fase, começava a engrossar fileiras uma nova geração de indefectíveis Boavisteiros, mais virados para o movimento e o panorama Ultra, mas igualmente com os mesmos pressupostos de sempre, engrandecer e elevar bem alto o nome dos PANTERAS NEGRAS e do BOAVISTA FUTEBOL CLUBE !! 
 
DÉCADA DE 90
 
A década de 90 foi rica em factores positivos, foi digamos assim, a definitiva afirmação do grupo quer a nível interno ( no próprio clube) , quer a nível nacional e chegando mesmo atingir popularidade além fronteiras. 
 Mas enganem-se aqueles que pensam que se tratou tudo de um mar de rosas, porque factores negativos também os houve, felizmente em muito menor número, mas com a suficiente força para deixar marcas e fazer história.
Foi nesta época que o grupo decididamente amadureceu, criou raízes e peso no Boavista.
É por esta altura que surgem as melhores “colheitas” de ultras axadrezados, nomes que ficarão para sempre ligados à claque e por inerência ao próprio clube.
A nível de estética dá-se uma revolução em relação aos anos 80, começa-se a dar mais relevo à simbologia da claque, expressa em material para uso individual (Bonés, cachecóis, t-shirt´s, sweat´s, autocolantes….) mas também em material usado para representar colectivamente os Panteras Negras ( faixas de núcleos , que em meados de 90 chegaram a ser uniformizadas, bandeiras e estandartes…..)
Estavam na moda as saudosas tochas e os potes de fumo, que tantos espectáculos ofereceram quer no topo Sul, quer por esse país fora.
Podemos afirmar que foi nos anos 90 que se deu o verdadeiro BOOM das claques nacionais, tornando-se inclusive uma moda e os Panteras não ficaram alheios a tal situação, o grupo aumentou o seu numero de elementos, tornou-se mais dinâmico, chegando a tornar-se mais agressivo e atingindo situações de quase militarização.
Os cânticos de apoio tornaram-se mais diversificados e menos rudimentares e adoptou-se muitos costumes da pátria do tifo (Itália) .
Deu-se mais relevo ao colorido nas bancadas, organizando-se grandes coreografias que tão bonito panorama oferecia ao velhinho topo sul.
Foi a década da afirmação do clube no futebol europeu e ninguém pode ficar indiferente, por exemplo, ás já tornadas míticas viagens a Nápoles e a Milão de apoio incondicional ás nossas cores.
Foram os anos das bonitas presenças na bancada nas finais da Taça de Portugal no Jamor.
Foram as épocas dos mágicos jogos no Bessa , do futebol espectáculo e do espectáculo dado nas bancadas, jogos contra a Lázio, Torino, jogos contra o Fcp para a Supertaça… falam por si.
Foram os tempos das loucas viagens por esse país fora, de norte a sul a percorrer quilómetros atrás de quilómetros, sempre com o mesmo intuito e sempre com o mesmo amor e dedicação.
Quem pode esquecer as deslocações a Faro, Chaves, Espinho, Guimarães, Setúbal, Braga, Barcelos, Stº Tirso, Leiria, Campomaior, Luz, Alvalade… todas elas recheadas de aventuras e desventuras.
Quem pode negar a camaradagem forçosamente angariada entre si pelos irredutíveis do Bessa, que juntos habituaram-se a defender as cores do clube, a lutar pelo respeito que elas impunham, a conviver e a transformar essa mesma vivência num modo de vida.
Sentirem que de uma maneira muito especial, os Panteras Negras influenciavam as suas próprias vidas.
Quem não se lembra de se sentir alguma vez apertado e metido em confusões, tumultos, desordens e sentir aquela adrenalina pura e única.
Quem nunca viu uniformemente todo o grupo a vibrar, apoiar, saltar, gritar, ficar rouco, ficar louco em prol de uma instituição de seu nome Boavista Futebol Clube.
Quem nunca sentiu a necessidade de recorrer à camaradagem, para muitas vezes ultrapassar problemas extra futebol e para desabafar sobre a vida.
Quem pôde ficar indiferente aos terríveis tempos de letargia e monotonia que passaram pelo mítico topo sul, muito por culpa das forças de bloqueio que intervieram para travar excessos ( nós não o negámos!!!!! ) de uma paixão cega que muitos de nós sentíamos.
Foi em suma, uma década que marcou toda uma geração de ultras axadrezados e que jamais em vida se lhes apagará da memória. Foi o hino daqueles, mas unicamente daqueles que percebem o que é saber ser Boavisteiro, saber que magia é essa que felizmente só atinge uma minoria, porque para se ser Boavisteiro não basta o querer, é necessário ter algo que transcende tudo o que é racional e lógico.   Sem duvida que o verdadeiro ícone de tudo isso, o verdadeiro expoente máximo está perfeitamente identificado em duas palavras…. PANTERAS NEGRAS…
 

publicado por PNvelhaguarda às 04:15
| Dá o teu bitaite
4 comentários:
De http://12.phpbb24.com a 7 de Maio de 2008 às 09:55
PORTUGAL TIFO


De boavisteiro e P.N a 7 de Maio de 2008 às 13:14
clube centenário e quase um quarto de século de apoio a uma causa. Não nascemos ontem e não vamos morrer amanhã.
FORÇA BOAVISTA!


De Anónimo a 8 de Maio de 2008 às 21:55
"tornou-se mais dinâmico, chegando a tornar-se mais agressivo e atingindo situações de quase militarização."

Parei de ler aqui...

Um valente lol para essas bandas.


De PNvelhaguarda a 8 de Maio de 2008 às 22:07
E então puto, do que leste deu para aprender alguma coisa ou mesmo assim vais continuar a ser o cromo de sempre??


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