Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

UMA RIVALIDADE LEVADA AOS LIMITES ( 74/75 )

 

(...)

 

Na parte baixa da tabela estavam já confirmadas as descidas de SC Olhanense e SC Espinho, Académica de Coimbra, e mais tarde também do Clube Oriental de Lisboa. No Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1975/75 faltava apenas decidir o 4º classificado, posição que atribuiria mais um lugar nas competições europeias.

O Vitoria SC e o Boavista FC eram os clubes envolvidos nessa particular luta e o jogo entre eles na última jornada da competição tudo iria decidir. Os vitorianos partiam com uma vantagem de dois pontos e um empate no jogo decisivo seria suficiente para garantir o 4º lugar, por seu turno, ao Boavista FC só a vitoria interessava.

O jogo decisivo joga-se no dia 17 de Maio de 1975, pelas 16.00 horas, no Estádio Municipal de Guimarães, repleto de vimaranenses que acreditavam piamente no sucesso da sua equipa. E tinham razão para isso, já que o Vitoria SC possuía uma excelente equipa de futebol conforme tinha ficado bem demonstrado ao longo da temporada.

Do outro lado, porém, apresentava-se também uma equipa recheada de grandes valores do futebol português, superiormente comandada pelo conceituado técnico José Maria Pedroto.

Naquela tarde do mês de Maio de 1975, aguardava-se um grande jogo de futebol, disputado entre duas excelentes equipas e, talvez ingenuamente, suponha-se que a decisão sobre o 4º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1974/75 dependia, unicamente, da prestação dos jogadores do Vitoria SC e do Boavista FC.

Para arbitrar aquela decisiva partida foi nomeado o arbitro António Garrido, da AF de Leiria, para muitos, considerado, como o melhor juiz dos quadros nacionais. Acabou por ser ele, António Garrido, o grande protagonista da partida, recheada de casos polémicos e decisões bastante contestadas pelos apaniguados do Vitoria SC.

Antes de uma referência mais pormenorizada ao jogo, diga-se, desde logo, que aquele encontro entre o Vitoria SC e o Boavista FC da ultima jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1974/75 foi, futebolisticamente falando, um extraordinário espectáculo, bem jogado, intenso e com incerteza no resultado até ao final.

Desde o apito inicial que a emoção esteve ao rubro naquela partida. Logo aos 12 minutos de jogo o primeiro lance polémico. Numa jogada de ataque do Vitoria SC, o avançado Tito atira colocado para a baliza do desamparado guardião do Boavista FC, Botelho.

Precisamente no momento fatal, surge o defesa boavisteiro Amândio que corta a trajectória da bola, projectando-a para fora da baliza com esta ainda a embater no poste esquerdo. Os vitorianos festejaram o golo, defendendo que o esférico tinha ultrapassado a linha de golo, contudo, o árbitro António Garrido, não validou o lance.
 

(Imagem do primeiro lance pólémico do jogo Vitoria SC - Boavista FC. Amândio parece cortar a bola já no interior da baliza boavisteira, enquanto o guardião Botelho acorre desamparado ao lance)

 

Momentos depois, aos 28 minutos de jogo, surge o primeiro golo do Boavista FC. Na zona do meio campo, o centrocampista João Alves desmarca o rápido extremo boavisteiro Salvador, que em velocidade ganha o lance ao defesa vitoriano Rui Rodrigues e, já no interior da área, devolve a bola a João Alves que atira para o fundo da baliza.

A posição de João Alves, no momento do remate fatal, é bastante duvidosa, mas desta feita, o arbitro António Garrido valida o golo, apesar dos inúmeros protestos dos jogadores do Vitoria SC e da massa associativa que passa a manifestar-se fortemente.

Já com os ânimos bastante exaltados, logo surge novo lance muito controverso. Aos 36 minutos, correspondendo a um cruzamento da esquerda, o avançado boavisteiro Mane, em posição duvidosa, surge isolado perante o guardião do Vitoria SC Rodrigues, que imediatamente se lança ao relvado para impedir o golo.

Na sequência da disputa daquele lance entre o guarda-redes Rodrigues e o avançado Mané, o arbitro António Garrido apita, apontando para a marca da grande penalidade. Imediatamente resultam um coro de infindáveis protestos vindos do sector junto à baliza do Vitoria SC, com derrube das redes de vedação do campo e ameaças de invasão.

Depois de serenar os ânimos na bancada e restabelecida a ordem, o boavisteiro João Alves com um remate colocado transformou em golo a grande penalidade e colocou o Boavista FC a vencer por 0-2. O Vitoria SC, em clara desvantagem no marcador, lança-se no ataque em busca de um golo que reduzisse as diferenças.

 

 (João Alves, médio boavisteiro, com a camisola n.º 7, aponta o segundo golo do Boavista FC na transformação de uma grande penalidade, batendo o guadião vitoriano Rodrigues)
 
Mesmo em cima do intervalo chega o tento vitoriano por intermédio do avançado Romeu. Com cruzamento da direita de Pedrinho para a grande área do Boavista FC, após um desvio de cabeça de Custodio Pinto, surgiu Romeu a empurrar a bola para o fundo da baliza boavisteira.

Renascia as esperanças junto das hostes vimaranenses, mas os desenvolvimentos do primeiro tempo foram definitivamente marcantes e a saída para as cabines ao intervalo foi bastante complicada para o trio de arbitragem liderado por António Garrido.

 

(Bem evidentes os protestos da massa associativa do Vitoria SC no Estádio Municipal de Guimarães)

 

Já na segunda parte e após substituições operadas, com intenções inversas, em ambas as equipas - pelo lado do Vitoria SC entrando Almiro mais ofensivo para o lugar do defesa Osvaldinho, enquanto no Boavista FC dá-se a entrada de Barbosa, médio defensivo para o lugar do avançado Mané – o jogo ofensivo ficou a cargo dos vimaranenses, enquanto a equipa do Bessa acantonou-se na defesa, sem nunca descurar o contra ataque, sobretudo, através do endiabrado Salvador.

À constante pressão exercida pela equipa do Vitoria SC, respondia o Boavista FC como um verdadeiro bloco intransponível. Todavia, a equipa vimaranense não conseguia criar grandes oportunidades, jogando, agora, mais com o coração do que com a cabeça.

 

 (Os vitorianos Romeu e Custodio Pinto neste lance do jogo Vitoria SC - Boavista FC)
 
Praticamente em cima do final do jogo, o avançado vitoriano Tito cai dentro da grande área do Boavista FC e reclamando grande penalidade que António Garrido não assinala. Na sequência desse lance o jogo tem de ser interrompido pois nas bancadas verifica-se mais uma tentativa de invasão.

A muito custo lá termina a partida com a derrota final do Vitoria SC por 1-2, ficando assim fora do acesso às competições europeias organizadas pela Uefa. Já a equipa boavisteira conseguia recuperar a desvantagem pontual na tabela classificativa e garantia o 4º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão.

Depois do final da partida seguiram-se momentos verdadeiramente lamentáveis, com alguns adeptos afectos ao Vitoria SC a contestar de forma desvairada a arbitragem de António Garrido.

Dentro dos balneários, o arbitro António Garrido e seus auxiliares eram protegidos pelos jogadores e dirigentes do Vitoria SC, enquanto no exterior os acontecimentos agravaram-se.

Desde confrontos com a policia, que foi obrigada a usar as armas, às tentativas de arrombamento de portas, o cerco ao estádio, até ao fogo ateado ao carro novo do arbitro António Garrido - um Toyota 1200 vermelho – aconteceu de tudo um pouco no final daquele celebre jogo entre o Vitoria SC e o Boavista FC no final da temporada de 1974/75.

Apenas com a chegada de um conjunto de militares vindos da cidade do Porto, que reforçaram o policiamento na área envolvente ao Estádio Municipal de Guimarães, foi possível permitir a saída do arbitro António Garrido, que ainda teve de fazer a viagem no interior de um carro militar.

Tal como nos dias de hoje, também naquela altura o corporativismo da arbitragem ficou bem patente com um conjunto de árbitros, essencialmente, do núcleo de Leiria e de Lisboa vetaram os jogos do Vitoria SC até que o arbitro António Garrido fosse indemnizado e o clube fosse severamente castigado.

Imediatamente foi decretada a interdição preventiva do Estádio Municipal de Guimarães, com consequências imediatas na prova da Taça de Portugal onde o Vitoria SC ainda estava envolvido, cabendo-lhe defrontar no domingo seguinte ao jogo com o Boavista FC, a equipa do FC Porto.
 
 
(...)
 

 

Créditos : Fotos e texto retirados do blog "Glórias do Passado", que apesar de se tratar de um blog vimaranense, consegue relatar os acontecimentos vividos, com uma saudável imparcialidade e uma bem tolerada visão clubistica.

 


publicado por PNvelhaguarda às 18:45
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