
Não raras vezes a minha família ficou para trás em detrimento desta paixão, desta necessidade irreprimível de ir ao Bessa (que frequentei ininterruptamente durante 36 anos), desta angústia obsessiva de ver as camisolas aos quadradinhos no relvado, de gritar quando o Boavista marca, de chorar quando o Boavista perde.
Sinto um orgulho indescritível em gritar aos quatro ventos que sou boavisteiro desde que nasci, que o meu sangue é aos quadradinhos pretos e brancos, que o meu filho e a minha filha são sócios desde que nasceram, que estava lá no Bessa quando o Boavista jogou, pela primeira vez na sua história, para a taça UEFA com o Valência (foi o Diamantino que marcou o golo do Boavista em Valência), quando a iluminação foi utilizada a primeira vez num jogo da taça UEFA contra a Fiorentina (Nelson Bertolazzi marcou o golo do Boavista no Bessa), quando perdemos 1-0 no Bessa, contra a União de Tomar e vimos assim gorada a hipótese de sermos campeões nacionais com o malogrado José Maria Pedroto, quando ganhamos (2-1) a primeira edição da Supertaça, no estádio das antas, e os adeptos portistas impediram a entrega da Taça, quando ganhamos o primeiro Campeonato Nacional.
Enfim, memórias mais antigas e mais recentes, umas tristes outras alegres mas com um denominador comum: o amor imensurável, profundo, genuíno e obsessivo que nutro por este clube cujo símbolo está gravado a ferro e fogo no meu coração.
É do conhecimento de toda a minha família que, no dia em que eu morrer, quero levar comigo o meu boavisteiramente decorado capacete de "trolha" com o qual acompanhei os Panteras durante dois anos (Já lá vão cerca de vinte), o meu primeiro cachecol do Boavista e uma bandeira do Boavista sobre o caixão.
É também com muita tristeza e angústia que acompanho desde Grenoble - França as notícias menos boas sobre o meu Boavista mas tenho a certeza de que, com o apoio inequívoco e profundamente empenhado de todos os Boavisteiros, o nosso Boavista voltará a ser o Boavistão que todos desejamos.
Abraços Boavisteiros.